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5 tendências para viver melhor

Arquitetura

Que tal lançar um olhar fresco para antigos dilemas arquitetônicos e decorativos? Nessa busca, podem surgir soluções atuais que, embora se inspirem em outros tempos, revelam o novo. Reunimos sete profissionais respeitados que apontam tendências para ocupar o espaço usando como exemplo o que fizeram com mais liberdade: seus projetos autorais.

1. Quebra de limites

“Vivemos presos a um modelo burguês de habitação no qual os cômodos se restringem a ações específicas, tais como cozinhar, comer, dormir. Reflito sobre o espaço desde que me conheço por gente e fui criado numa típica casa de classe média nos anos 1980. Fazia minhas tarefas escolares na “mesa de jantar”, na verdade utilizada para esse fim só uma vez ao ano. No cotidiano, era destinada a atividades escolares ou recreativas – montava sempre meu Ferrorama sobre a tal mesa. Essas simples adaptações do dia a dia, como ler na cama, tirar um cochilo no sofá ou receber os amigos para um churrasco na garagem, talvez tenham derrubado meus paradigmas a respeito do morar de modo muito mais sincero. Recentemente, ao visitar a Villa Savoye (1928), do mestre Corbusier, na França, me emocionei ao sentir como ele propunha o uso do espaço, mostrando a importância do caminhar para que, aos poucos, luzes, volumes e vazios se descortinem. Lembrei-me dos meus próprios hábitos, como improvisar pela manhã, em minha cozinha nada ortodoxa – com direito a jardim com árvores e pé-direito duplo – um escritório, como um refúgio particular. Sorri e agradeci.”

Ghilherme Torres,arquiteto

2. A reinvenção do contraste

“Nasci na década de 1970, que foi muito marcante nos interiores, e minha inspiração vem de lá. Tenho verdadeiro fascínio pelos materiais da época, como o acrílico e a eterna cerâmica, seus metais dourados e prateados, o branco e a riqueza de cores, as estampas e as texturas fortes e expressivas. Gosto do brilho que os grandes contrastes promovem: do tijolo, da madeira e do papel ao high-tech, em um mix que caracteriza tudo o que faço na minha profissão. Reúno o vintage e o contemporâneo e, na hora de decorar um ambiente, por mais novo que ele possa parecer, penso nas fórmulas tradicionais e consagradas de buscar a melhor estética – para mim, é o que vem em primeiro lugar quando o assunto é, essencialmente, decoração. Gosto do desenho pelo desenho, de voltar atrás no tempo e ver o que os outros decoradores faziam, só que, hoje, como uso da tecnologia, mas na medida certa!”

Maximiliano Crovato,arquiteto

3. O máximo com o mínimo

“Habitar uma metrópole é um desafio constante: poluição, trânsito, segurança, preço dos imóveis, falta de espaços públicos qualificados e tantos outros fatores desestimulam constantemente seus moradores. No entanto, a quantidade de oportunidades de serviços, lazer, cultura, gastronomia e empregos permanece como um fator de compensação. Com os valores cada vez mais altos para imóveis bem inseridos nessa realidade, o tamanho dos ambientes privados tende a continuar diminuindo nos próximos anos. Portanto, é fundamental investigar novas possibilidades. Nesta pequena residência erguida num lote de apenas 4 m de largura, por 30 m de profundidade, desenvolvida em parceria com o escritório CR2 Arquitetura, simplificamos o programa de uma casa convencional, de maneira a reduzir seu tamanho e maximizar a sensação de espaço: os ambientes se costuram e se misturam num continuum entre interior e exterior – transparências e conexões que proporcionam um ganho de qualidade.”

FGMF Arquitetura

4. Foco: a pessoa e o ambiente

“A mesma tecnologia que conecta o mundo acaba desconectando as pessoas e, principalmente, as famílias. Cada vez mais nômade, o ser humano deseja viver em espaços práticos e funcionais – ele precisa dominar a casa;
se a casa vira dominadora, a relação se torna desproporcional. Para que se tenha uma equivalência tecnológica em relação à arquitetura, é preciso resgatar o “vazio” surgido dentro dos lares, reforçando as áreas comuns de convívio. Em busca desse equilíbrio, desenvolvemos um sistema de módulos denominados GROU, com os quais o morador pode criar sua própria atmosfera temporal, possibilitando mudanças imediatas sem perder a qualidade. Autoportante, o GROU se torna uma arquitetura nômade, que pode ser transportada para diversos lugares. É assim que vemos as moradias no futuro: construções limpas e sustentáveis, projetadas com recursos e materiais que contribuem para sua eficiência energética. O aumento da poluição e o aquecimento global trouxeram a urgente necessidade de mudanças comportamentais e estruturais em nosso estilo de vida. Acredito que essas transformações devem começar, literalmente, pelas nossas casas, na forma como as projetamos e construímos.”

Duda Porto,arquiteto

5. Pátio da paz

“Sair de São Paulo simboliza deixar de lado a ‘correria’. É como encontrar uma fenda no tempo, abrir espaço... A Casa da Mangueira, aqui retratada, é uma pousada e nossa residência em Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros. É o lugar que minha mulher Cristina e eu escolhemos para viver com nossos filhos Ian e Uma. O pátio ao redor da mangueira é o coração da casa, por onde se entra, para onde a sala se abre, de onde contemplamos o céu do Planalto Central. Meu filho Ian, de 4 anos, ajudou a assentar as pedras do chão. Esse tipo de piso normalmente não é paginado, as pedras têm de ser escolhidas na hora e o resultado depende da sensibilidade de quem as coloca. No dia da instalação percebemos que deveríamos dispô-las radialmente, do centro para as extremidades – um gesto sutil capaz de transformar o ambiente. Estarmos próximos da natureza e vivenciar o silêncio nos ajudam a manter essa sutileza. Creio que, com menos informação há mais espaço para compreensão – é como queremos morar.”

Alan Chu,arquiteto

Fonte: Casa Vogue